Em qualquer atividade do ser humano, tudo que puder ser empregado e que resulte em menor esforço ou vantagens, será usado. Faz parte do seu instinto, e isto é uma das molas do desenvolvimento e evolução da espécie.

Se eu pudesse ressaltar inovações que tenham marcado a minha geração e, em particular, minha atividade profissional, de imediato me ocorreria mencionar como duas das mais relevantes: o Global Position Satélite – GPS e a Internet.

Existem novidades tecnológicas que chegam, impactam e levam algum tempo para se poder avaliar sua verdadeira relevância transformadora, sendo que umas realmente modificam a forma de se fazer algo e outras se constituem em apenas mais uma opção de como podemos faze-lo.

Este é o caso dos VANTS.

Com a regulamentação dos VANTs junto a ANAC para o uso comercial, abrem-se novas perspectivas de como se realizar uma atividade que demande uma plataforma aérea, ou, ainda, outros meios de transporte.

Diante das diversas possibilidades de uso de um VANT, o aerolevantamento com certeza será uma delas.

O que ocorre é que a atividade de aerolevantamento não se resume a capturar imagens com uma plataforma aérea. Consiste-se também em tratar e interpretar estes dados para o seu conveniente fim a que se destinam.

Se o que se deseja destas imagens é simplesmente a possibilidade de fotointerpretar feições que nela apareçam, então o assunto  é mais simples. Mas, se a partir das mesmas pretenda-se obter informações métricas, então saímos da seara muito banal para outra que requer conhecimento específico e que se constitui numa especialidade da engenharia.

Há de se ressaltar que, hoje, o AEROLEVANTAMENTO, uma especialidade da engenharia cartográfica, está inserido num contexto muito mais amplo que é a GEOMÁTICA, de tal sorte que o foco tem sido desviado do “como coletar” os dados para o “como tratar” estes dados, gerando informações que precisam ser estruturadas, armazenadas e compartilhadas. A tal ponto que se estuda a criação de uma PNGeo (Política Nacional de Geoinformações). Comete-se atualmente a leviandade de se negligenciar quanto a qualidade dos dados, para se focar somente nas informações desejadas, mal sabendo que a qualidade destas últimas depende intrinsecamente da qualidade dos primeiros.

Num momento de euforia inicial, começam a surgir entusiastas e oportunistas com ideias e soluções que podem não ter respaldo na realidade, criando expectativas e dúvidas naqueles que estão por demandar soluções mais complexas e precisas.

Reforço: não se pode confundir uma etapa de trabalho, tal como a obtenção das imagens aéreas – que, por sua vez, pode se dar com o emprego de satélites, aeronaves, ou Vants – com todo o processo de mapeamento e seus produtos decorrentes, o qual implica numa série de atividades extras, desenvolvidas em campo e em gabinete.

Portanto, o VANT em si, não é uma forma de mapeamento! É simplesmente uma alterativa a mais para obter se as imagens.

Na recente portaria da ANAC que regulamenta o uso dos VANTs, há uma classificação dos mesmos em 3 categorias quanto ao peso, e também, o que é muito importante para a logística de sua operação, diferentes exigências para o uso aquém ou além do que é chamado “linha de visada visual” que é 120 metros. Para operar se a uma distância acima de 120 metros, as exigências quanto à homologação do VANT e do operador junto à ANAC são muito mais rigorosas.

Operar um VANT de forma não conforme com a legislação da ANAC, ANATEL e DECEA, pode acarretar em crime de responsabilidade civil, tanto para o operador como para o usuário. Assim sendo, o uso de VANTs para fins de aerolevantamento deve atender as seguintes exigências legais:

– Legislação de Aerolevantamento emitida pelo Ministério da Defesa, com atendimento a requisitos de inscrição naquele ministério como empresa especializada, e também quanto aos procedimentos de obtenção de licença prévia para cada serviço a se executar, conforme consta na seguinte legislação pertinente:

Decreto-Lei 1177 de 1971;

Decreto 2278 de 1977;

Portaria Normativa n° 953 do MD, emitida em 2014

– Regulamento Brasileiro de Aviação Cívil Especial – RBAC-E n° 94, a qual estabelece a classificação dos VANTs e suas respectivas condicionantes operacionais.

Resolvidas as questões legais, passa-se a pensar em questões de segurança, qualidade, economicidade e  rapidez.

Portanto pé no chão e muita engenharia, pois de picaretagem estamos cheios.

Eng.º Renato Asinelli Filho

Diretor Presidente

Engefoto Engenharia e Aerolevantamentos S.A